quarta-feira, 23 de setembro de 2009

TRIATHLON DE GERARDMER E DE MERGOZZO



 

Na semana passada viajei para competir na França (06/09) , na cidade de Gerardmer. A viagem foi meio longa com mais de 7 horas de carro. A prova é muito dura e não tem 1 km de plano no ciclismo. Eram 2 km na natação , 93 km de ciclismo (3 voltas) e 21 km de corrida (3 voltas). Fazia um pouco de frio e estava menos de 10 graus. Minha preocupação era com a chuva pois o percurso tinha muitas descidas velozes e a chuva aumenta muito o risco de quedas. Felizmente não choveu e  a organização da prova foi uma das melhores que já vi, pois era um evento promocional, sem ter nenhum envolvimento com IRONMAN, CHALLENGE ou ITU. O kit da prova era bem original e todos ganharam um casaco sensacional com a marca do evento, o público compareceu em grande número e ao lado da arquibancada havia um telão que facilitava a identificação dos atletas na chegada. Durante alguns anos eles sediaram o IRONMAN FRANCE (atualmente a prova é realizada em Nice) e talvez por isso apresentem esse padrão de qualidade que vale a pena conferir. Assim como o Triathlon do Alpe D’Huez, em Gerardmer também acontece no dia seguinte um triathlon na distância olímpica, mas sempre sem vácuo. São duas provas que vale a pena viajar do Brasil para competir e conhecer a região!

A  prova contava com nível altissimo, bem maior do que eu esperava e do que havia acontecido nos últimos anos. Eu não nadei muito bem pois a largada foi muito confusa e acabei ficando enrolado num grupo perdendo o pelotão da frente que era bem forte. No ciclismo fui bem, disputando cada posição e me recuperando a cada volta. Entreguei a bike entre os Top 10 e não estava cansado. Infelizmente não pude correr bem pois depois do Ironman de Nice, onde abandonei por dores no pé, senti novamente muitas dores na primeira volta de corrida e com isso acabei perdendo tempo. Depois comecei a encaixar o ritmo mas acabei perdendo a décima colocação no final. Mais uma vez fui décimo primeiro…

Sinceramente não sabia que estava entre os TOP 10, pois o australiano Pete Jacobs (segundo colocado em Roth) me passou na segunda volta de corrida, mas ele estava uma volta atrás. Isso me confundiu pois eu havia passado ele na bike mas não sabia que havia aberto tanto. De qualquer forma sei que fiz o meu melhor dentro da situação de dores que apresentava. O frio aumentou minha sensação de dor e precisei de tempo para me adaptar a ela, com isso fiz uma corrida muito pior do que normalmente faria

Neste último domingo (13/09) fomos para o Lago Maggiore , na Itália , competir no Triathlon de Mergozzo. A prova era Campeonato Italiano na distância de 3km de natação , 80 km de ciclismo e 20 km de corrida (Duplo Olímpico).

Foi nessa prova em 2005 que começou minha história aqui na Itália pois tive a felicidade de vencê-la, fazendo uma das melhores provas da minha carreira.

Meu objetivo era realmente ficar entre os 5 primeiros mas principalmente ser o primeiro estrangeiro, pois havia uma premiação especial para estes. Meu principal adversário seria o ucraniano Wladmir Polikarpenko, mas que acabou desistindo da prova.

Nadei mais ou menos , apesar de estar treinando muito bem. Larguei por fora e me encaixei bem no primeiro grupo mas não aguentei o ritmo, saindo quase 1’ atrás na disputa do quarto lugar.

Meu pé não havia ainda se recuperado da semana anterior e tive dificuldades de correr descalço na longa transição. Me recuperei na bike e cheguei disputando o terceiro lugar. Logo na saída para corrida vi que o máximo que poderia fazer seria lutar para ficar entre os 5 primeiros pois meu pé doía muito. Fechei a prova em quinto e garanti o primeiro lugar como estrangeiro. Fico contente com o objetivo cumprido mas triste de saber que estou correndo de forma limitada…

Agora devo decidir se faço a última prova da temporada ou não pois acabei com muitas dores no pé. Logo estarei de volta ao Brasil e poderei ter meu atendimento médico com o Dr. Leonardo Metsavath no Rio.

 

Depois da prova fiz meu quinto exame de Controle Anti- Doping, desde que cheguei aqui na Itália em maio. O primeiro foi na França em Niederbron (Urina), depois fiz um outro controle antes da prova do Challenge Roth (Sangue),  mais um logo após a prova (Urina) e agora no domingo em Mergozzo na Itália (Urina e Sangue).

O fato curioso e engraçado neste último Controle foi que  durante a coleta de urina, o atleta vai num banheiro junto com um médico que observa TUDO. Estava eu lá enchendo o potinho que deveria ter no mínimo 100 ml e de repente o médico grita: “Basta!!!” Eu dei aquela “travada” e parei de “mijar”. Olhei pro médico e ele estava arrependido pois a espuma da urina o havia confundido. Ele me pediu para tentar preencher a quantidade necessária mas eu não conseguia mais. Liguei a água da torneira, dei descarga mais de 5 vezes e ficava de olho fechado concentrado…, pensando numa cachoeira ou em qualquer outra coisa que me fizesse preencher aquele “maldito potinho”. Lembrei até da minha mãe que me levava no banheiro pra mijar antes de dormir quando era bem pequeno.

Infelizmente não consegui e depois disso meu pote referente ao exame virou a atração entre os 4 médicos responsáveis, discutindo se seria suficiente ou não para o Controle. Eu trocava a urina de pote por mais de 5 vezes como nas aulas de química do colégio para que enfim os médicos chegassem a uma conclusão se faria outra coleta ou se aquela quantidade seria suficiente.

Isso tudo foi engraçado, até porque os italianos são escandalosos etc, mas serve de exemplo principalmente aos organizadores de competições no Brasil, a Confederação Brasileira de Triathlon etc, pois não podemos realizar competições há tanto tempo, com premiações, formando equipes nacionais etc, sem que jamais exista um Controle Anti-Doping. Acho inadmissível o Ironman Brasil, o Internacional de Santos e as provas da CBTRI não terem um exame de Controle Anti Doping. Deveríamos aproveitar que temos a atleta olímpica Sandra Soldan trabalhando como médica responsável por esses exames na natação e trazê-la também para o Triathlon.

Não estou aqui acusando ou desconfiando de ninguém. Só acho que nenhum atleta no Brasil toca neste assunto e nem pede ou exige esse tipo de procedimento. O mundo inteiro está lutando contra o doping e no Brasil não fazemos nada a respeito.

Falo isso tudo por duas situações que aconteceram justamente no Internacional de Santos. Em 1992, fui Vice Campeão da prova e o vencedor do evento, poucos meses antes havia sido pego num Controle na França e proibido de correr por lá. Há poucos anos atrás, uma atleta ainda cumprindo a suspensão de 2 anos participou e venceu o Internacional de Santos.

Acho que essas coisas acontecem pois nós atletas não somos unidos e também pela cultura brasileira da impunidade e da falta de memória.

Forte abraço a todos e bons treinos!!!

Marquinhos Ornellas

 

sábado, 1 de agosto de 2009

ME DESCULPEM, MAS SOU HUMANO!!!


Apenas duas semanas depois de ter competido no Challenge Roth fui nesta quarta feira , dia 29 de julho , para o Triathlon Long Distance do Alpe D’Huez tendo a “RESPONSABILIDADE”  de carregar no peito o número 1 .  Digo responsabilidade pois a prova contava com grandes atletas, praticamente toda a seleção francesa, atual bicampeã mundial por equipe de Triathlon de Longa Distância, incluindo Julien Loy (atual Bicampeão Mundial) , a seleção italiana de Longa distância e a equipe TBB com atletas de toda a parte do mundo.

Ano passado fui Campeão dessa prova que para mim é uma das mais lindas do mundo. O cenário é maravilhoso parecendo uma pintura com céu muito azul e as montanhas ainda com neve.

A prova juntamente com o EMBRUNMAN , também na França,  são as provas mais difíceis do triathlon mundial. A prova do Alpe D’Huez só não é considerada a mais dura pois ela tem medidas menores.

O Embrunman são 3.8km de natação, 190 km de bike com mais de 5000 m de desnível , incluindo o famoso Col D’ Izoard e 42 km de corrida . A largada é as 6:00 da manhã totalmente no escuro, onde devemos seguir um caiaque com uma lamparina pendurada!!! No ano passado fui para essa prova que era um dos meus sonhos. Peguei chuva de granizo e 2 graus negativos no topo do Izoard!!! Depois de ter 3 pneus furados acabei abandonando a prova. Peguei muita chuva e frio! Na França o atleta não pode receber ajuda externa nem da organização da prova , com isso acabei ficando doente por mais de 1 mês e quase tive pneumonia… 

Voltando ao Triathlon do Alpe D’Huez. O evento consta com muitas provas durante toda a semana, começando no domingo com um short triathlon sem a subida do Alpe D’Huez. Na terça é realizado um triathlon infantil muito legal. As crianças na França tem uniformes com os próprios nomes e são muito talentosas. Na quarta é realizada a prova mais importante que é o Longo. São duas transições e as medidas são: 2200m de natação , 115 km de bike com 3 montanhas (uma de 20km , outra menos inclinada de quase 25 km e para terminar o Alpe D’Huez com 15 km acabando na  transição 2), a corrida são 22 km dividida em 3 voltas a 2200 m de altitude. Na quinta-feira é relizada uma prova mais curta com 1000m de natação , 34 km de bike com o Alpe D’Duez e 7300 de corrida no mesmo local do Triathlon Longo.

Esse ano não consegui ter o mesmo desempenho do ano passado, mas fiz questão de prestigiar o evento e apesar de todo o sofrimento pela dificuldade da prova, jamais pensei em abandonar, mesmo tendo piorado quase 30 minutos do meu tempo do ano passado. Eu sou humano e apesar das distâncias não serem relativamente muito grandes, a dificuldade e o tempo de prova são referentes a um IRONMAN pois a prova leva mais de 6 horas.

Eu nadei muito bem e saí no primeiro pelotão, mas saí muito cansado e isso me prejudicou no início do ciclismo. Mas logo me recuperei e estava entre os 5 primeiros até a metade da primeira subida (20 km), quando um grupo forte me alcançou. Infelizmente não reagi pois conheço a prova e sabia que não estava suficientemente treinado e apresentava ainda “aquele”  cansaço típico de pós Ironman. Acabei perdendo algumas colocações e fiquei meio confuso pois a prova contava também com revezamentos. Com isso não sabia muito bem minha colocação. Fiquei durante o ciclismo num perde e ganha de colocações pois pela carcterística da prova, o rítmo mudava constantemente e durante todo o tempo um ou outro dava  “aquela quebrada”. Poucos conseguiam se recuperar. Devido a esse risco, fui prudente e confesso que até dei uma “quebradinha”  no início do Alpe D’Huez onde a inclinação era a mais dura da prova, mas felizmente, graças a Deus, consegui me recuperar. Fiz uma hidratação e alimententação muito boa durante toda a prova, com isso estava confiante de que aguentaria a “pressão”!

Saí para correr tranquilo e ganhei algumas colocações fechando a prova em décimo primeiro. Felizmente os 15 primeiros subiam no podium, o que me deixou muito feliz pois  nos últimos anos fui décimo primeiro em várias provas (Challenge France, Ironman 70.3 California e Campeonato Mundial de Ironman 70.3) , o que as vezes me deixava um pouco chateado.

 

Agora pretendo voltar aos treinos normalmente para em breve realmente poder fazer o meu melhor, voltando a competir somente quando estiver muito bem treinado e descansado.

 

Logo mandarei mais notícias sobre os treinos e um resumo de nossa viagem até agora.

 

Mais uma vez muito obrigado pela torcida. Forte abraço a todos e bons treinos!!!

 

sexta-feira, 17 de julho de 2009

DA EXPECTATIVA A DESILUSÃO,MAS...


CHALLENGE ROTH – 8 horas 32 minutos

Nada como um dia após o outro, ou uma nova prova após uma decepção.

Faz algum tempo que não mando notícias. Andei viajando muito e ao mesmo tempo, como já comentei anteriormente, fico sem animação para entrar na internet quando não vou bem numa prova.

 

No final do mês de junho viajei para Nice para competir no IRONMAN FRANCE. A prova é maravilhosa, o percurso é bastante duro com muitas subidas e descidas. Os primeiros 20 km e os 20 km finais são planos. A prova vai subindo até o km 125 e depois descemos uma serra de praticamente 35km até chegar na parte final plana, mas com MUITO vento contra.

 

Eu treinei bastante para essa prova. Não faltou nada! Fiz MUITAS montanhas e sempre as mais difíceis e longas da região de Turin. Cheguei a pedalar pela fronteira da França, nos Alpes, e por muitas vezes pedalei mais de 7 horas, chegando a fazer um treino de bike de 8 horas e 15’.

 

Meus treinos de corrida também foram feitos da melhor forma, como nos ensinamentos do Bernardinho do volei . Eu cheguei na prova com a certeza de que não poderia ter feito nada a mais do que fiz!

 

A prova contava com altissimo nível. Na natação acabei me embolando na largada e fiquei preso num grupo que acabou deixando 2 atletas escaparem. Menos mal que esse era o grupo com a maioria dos favoritos.

Saí para pedalar disputando a quarta colocação e até a metade da principal subida da prova me encontrava nessa situação. A parte mais difícil da prova é do km 50 ao 70, onde encontra-se a subida mais longa e com maior inclinação. Depois ainda continuamos subindo até o km 90 , mas com muitas retas de “falso plano”.

Inexplicavelmente não pedalei muito bem. Durante a semana me sentia descansado e estava me alimentando e me hidratando de forma perfeita. Pedalei para 5h 06’, pior que no ano passado (5h 04’) , tendo treinado muito mais, e muito pior do que em 2007 quando fiz o melhor tempo da prova com 4h 53’.

Mesmo assim ainda estava entre os TOP 10, mas quando desci da bike meu pé esquerdo doía MUITO, não podia correr e mancava…  Logo pensei: “Como vou correr uma maratona assim???!!!”  Na hora não entendi nada pois como foi aparecer essa dor sem ter sentido nada nas últimas semanas,…pensei que fosse uma fascite plantar causada pela sapatilha.

Corri duas voltas de 10.500m ainda entre os 10 primeiros mas ainda mancando um pouco. Quando comecei a me sentir mal do estômago e perder rendimento no km 23/24, decidi abandonar a prova e competir em seguida em outro Ironman.

Logo depois que abandonei a prova resolvi dar um mergulho na praia e pude notar que o arco do meu pé estava roxo e inchado. Deduzo que devo ter batido com o pé nas pedras da largada e  que não sentia dores durante o ciclismo pois não havia impactos fortes como na corrida.

Fiquei arrasado pois Nice, assim como St Croix, são as minhas provas prediletas.  Não ter completado foi um golpe que não esperava, porém  ainda havia a esperança de aproveitar todo o treinamento realizado e competir num outro grande evento.

Apesar de ter treinado ciclismo somente em montanhas, resolvi competir no CHALLENGE ROTH na Alemanha.

Foram duas semanas entre as duas provas e eu descansei bastante fazendo treinos mais curtos e procurando não treinar em montanhas.

Minha mulher (Rita) também ia correr a prova e saímos na quarta feira as 4:00 da madrugada para pegar o trem que ia de Turin para Milão e depois Roth (Via Munique). A viagem foi longa e cansativa mas a volta foi MUITO pior. Não chegava NUNCA!!! Ficamos na casa dos amigos Gerrit e Maona e foi muito legal, com astral muito bom.

Um dos sonhos da minha vida no Triathlon era fazer um Ironman em 8 horas e 30’, independentemente de colocação. Sabia que o nível da prova estava altíssimo e as características do percurso e dos concorrentes não me favoreciam.  Quando falo dos concorrentes é porque sempre que corro uma prova, vejo a Start List para saber como a prova vai se desenrolar,…se tem muitos nadadores bons ou não, se a maioria dos PROS são bons ciclistas ou corredores.  Dessa forma analiso minhas estratégias e visualizo o que provavelmente deva acontecer na prova.  Roth tinha quase 100% dos melhores ciclistas de Ironman do mundo : Norman Stadler, Ain Alar Johanson, Thomas Hellriegel, Raynard Tyssink, Torbjorn Sindballe (que acabou não correndo a prova) etc. Ao mesmo tempo não tinham bons nadadores. Somente o Pete Jacob, o que me dificultava bastante pois prefiro provas com muitos nadadores pois dessa forma o grupo se mantem compacto sem que ninguém “sobre do pé”. 

Acabou que aconteceu exatamente o que eu esperava. O Jacob abriu logo na largada e eu fiquei no primeiro pelotão saindo mais de 1’ atrás.

Não fiquei chateado pois sei que sairia destruído d'água se tivesse ido no pé do primeiro. A prova era longa e o pior ainda estava por vir,…que seria pedalar com  “os caras”.

Pedalei muito bem até o Km 120, sempre entre os 5 , 7 primeiros, chegando a estar em terceiro.  O Thomas Hellriegel dava o ritmo e um grupo com Tyssink, Tim Berkel, Patrick Vernay e eu seguíamos dentro da regra dos 10m de distância.

Felizmente quando tinha subida o ritmo caía um pouco mas nas retas era bastante forte. Logo no início o Norman passou o grupo e com 70km o Tyssink atacou e também abriu uma pequena vantagem.

Infelizmente não consegui manter o ritmo e por alguns kilometros acabei deixando o ritmo cair ficando para trás, mesmo assim ainda entre os 8 primeiros.

Em seguida um grupo de atletas me pegou, com vários “famosos” e que posteriormente estariam figurando entre os 15 primeiros.  O detalhe era que eles estavam num pelotão igual a uma prova da ITU!!!  Conforme eles me passavam eu acabei entrando no “bonde”  até ser o último do grupo e vi que só poderia ir com eles se realmente “dançasse aquela música”  igual a eles, quer dizer, andar na roda de forma descarada!!!  Na mesma hora diminuí e pensei em todos os anos da minha carreira desde quando comecei. Não poderia me prestar aquilo.  Estava prestes a fazer o melhor tempo da minha vida naquela distância e quem sabe poderia bater o recorde brasileiro. De forma alguma poderia estragar aquele momento pois haviam muitos fotógrafos, cinegrafistas etc. Seria uma vergonha para mim. Além disso tinha certeza que a qualquer momento alguém seria penalizado e eu seria beneficiado com isso.

Acabei pedalando sozinho até o final e depois de alguns kilometros “em crise”, voltei a pedalar bem fechando os 180km em 4h 35’.

Saí para correr me sentindo legal, sem cansaço nas pernas. Fui correndo ritmado sem forçar exageradamente pois realmente não sabia como meu corpo iria corresponder. Foi uma maratona onde ganhei algumas posições mas depois perdi algumas nos 2 momentos que  “andei em crise”. Fechei a maratona em 3horas 06’, passando a meia com quase 1h32’.

Minha parciais foram: SWIM – 47’ / BIKE  - 4h35’ / Run – 3h06’ e com 8 horas e 32’ no final.

Fiquei contente com meu tempo e cheguei bem perto do tempo do Reinaldo Colucci, estabelecendo o segundo melhor tempo na distância na história dos atletas brasileiros.

Pra mim isso é uma honra pois foram tantos excelentes atletas que competiram em Roth e em provas de Ironman: Roger de Moraes (primeiro brasileiro a fazer abaixo de 9 horas), Alexandre Ribeiro (durante anos recordista brasileiro na distância), Armando Barcellos.(melhor colocação brasileira no Ironman do Hawaii).

Sinceramente acredito que ainda posso fazer uns 10’ a 15’  melhor e vou lutar bastante para alcançar esse objetivo.

 

Mais uma vez muito obrigado pelo carinho e pela torcida de todos!!!

 

Forte abraço e bons treinos!!!

Marquinhos Ornellas

domingo, 21 de junho de 2009

TRIATHLON BARDOLINO

 

Olá meus  amigos!!!

 

Dessa vez não estou demorando muito para dar notícias. Ontem competi no triathlon mais importante da Itália na distância olímpica. O local era maravilhoso, no Lago de Garda, maior lago na Europa e a cidade era Bardolino. Era a vigésima sexta edição do Triathlon Internacional Cidade de Bardolino e tinha premiação em dinheiro para os 50 primeiros!!!

Talvez por isso mais de 150 atletas na ELITE e quase 1500 participaram da prova.

A cidade toda estava enfeitada para a prova e realmente um grande público prestigiou o evento que contava com arquibancadas e até um telão perto da chegada.

Muitas vezes as provas do Circuito Europeu tem nível similar as próprias Copas do Mundo e foi o que aconteceu em Bardolino, até porque não existe limite de atletas por país e nem o tradicional limite de 85 atletas por etapa.

Todas as provas de Elite/Profissional de distância curta na Itália valem vácuo. Infelizmente!!! Pois as provas mais maneiras da Itália, são as dos atletas amadores.  Percursos lindos e difíceis...  Bardolino era assim, pena que valendo vácuo!!! Já na França, nenhuma prova vale vácuo. Somente as provas do Grand Prix de clubes. Cada clube contrata pelo menos 6 atletas para competir nas 6 etapas, onde cada etapa tem um formato diferente ( olímpico, sprint, triple super sprint, time trial , revezamento etc)

A prova de Bardolino estava lotada de atletas que correm o Circuito Mundial da ITU e pelo menos 10 atletas que estiveram nas Olimpíadas.

Terminei a prova em vigésimo primeiro depois de ter nadado MUITO mal. Saí em quadragésimo lugar na natação mas felizmente estava “naqueles”  dias onde consigo pedalar muito bem, me deixando orgulhoso do trabalho realizado. Saí mais 1’30” dos primeiros e consegui diminuir bastante esta desvantagem. Admito que não fiz o trabalho sozinho pois fui ajudado pelo italiano Alessandro Degasperi, líder do ranking italiano e um dos favoritos. Fizemos um belo revezamento sem receber ajuda de ninguém. Conseguimos buscar vários grupos e os “sobrados”. Talvez com um pouco de ajuda tivéssimos buscado o pelotão... Minha corrida foi legal, só me faltou uma largada e uma chegada mais forte, pois chegamos todos enfileirados e próximos. A vitória ficou para o francês Tony Moulai.

Logo mandarei mais notícias. Mais uma vez muito obrigado pela torcida e por prestigiarem o blog.

 

Forte abraço a todos e bons treinos!!!

MARQUINHOS ORNELLAS

quinta-feira, 11 de junho de 2009

VOLTANDO QUASE AO NORMAL

 

Depois de mais de 20 dias tomando banho frio , ou melhor, gélido, aqui em Turin, na Itália, finalmente a assistência técnica resolveu vir aqui na nossa casa consertar o aquecedor.

Foi bem na véspera de fazer uma prova aqui por perto, em Sommariva Perno, perto de Alba, região das trufas, do mel e do vinho. A competição era um Short Triathlon e foi realizada numa terça-feira, feriado aqui na Itália. Apesar de estar treinando para provas longas resolvi fazer pois além de ser perto de casa, era Campeonato Piemontese (Região de Piemonte onde minha “squadra”  de Turin se localiza).

A prova tinha mais de 500 atletas e foi realizada numa piscina, com várias baterias de acordo com o ranking italiano.

Dessa vez não consegui sair junto com os primeiros, agüentei 300m e acabei sobrando, o que me deixou muito chateado pois normalmente isso não acontece. Cada raia nadam pelo menos 6 atletas de acordo com o ranking e minha raia era a mais forte.

Antes da largada os atletas se organizam para saber quem vai na frente e a prova se desenrola como num treinamento normal em piscina, todo mundo nadando no pé. Ou pelo menos tentando!!! O cara que saiu na frente na minha raia passou os 100m abaixo de 1’ e depois os 200m abaixo de 2’05”.  Atualmente este atleta (Giulio Molinari) é considerado o melhor nadador e ciclista do Triathlon Italiano. Eu larguei em quarto na minha raia e agüentei até os 300m, depois  acabei sobrando... Os outros 2 da minha frente agüentaram mais tempo.

Saí pra pedalar tentando buscar o pelotão o mais rápido possível aproveitando o início da prova que tinha algumas subidas. Busquei rápido e a minha intenção era escapar do pelotão e buscar o primeiro que fazia uma prova “solo”.  Consegui escapar mas logo depois errei o caminho e acabei voltando a ficar  na mesma distância que estava no início da bike (20” de atraso). Mais uma vez busquei o grupo e vi que não estávamos muito longe do primeiro. Infelizmente não consegui escapar novamente, mas fiz com que o grupo trabalhasse  bem por algum tempo, mas não o suficiente para realmente buscar se aproximar do primeiro. As vezes é melhor você andar sozinho do que num pelotão desorganizado e desinteressado.

Pra minha sorte a corrida começava subindo por quase 2 km.  Eu tenho mais facilidades de correr em subida do que no plano. Com isso abri boa vantagem para o terceiro e acabei ficando em segundo lugar.

Fiquei satisfeito com minha performance e animado pois na mesma semana estaria indo pra França competir no CHALLENGE FRANCE, prova realizada pelo segundo ano, fazendo parte do Circuito CHALLENGE e que está crescendo muito, principalmente na Europa.  O local da prova era numa região perto da fronteira com a Alemanha e a cidade se chamava Niederbronn-Les-Bains, perto de Strasbourg.

Fui para essa prova com um carro que um amigo me emprestou. Eu odeio dirigir e acabei tendo que fazê-lo pois deixar o carro dos outros, que era praticamente “zero”, na mão de Rita pra me ajudar na viagem era uma questão meio arricada... Foram mais de 600km passando por lugares muito “maneiros” mas debaixo de muita chuva.

A prova era nas distâncias de 1.9km/90km/21km e contava com uma START LIST repleta de estrelas do “Mundo do Triathlon” e com mais de 1200 atletas. Fazia muito frio, menos de 10 graus e choveu durante quase toda a prova.

Nadei bem e saí no primeiro grupo mas perdi muito tempo na transição me vestindo pois pedalei de camisa comprida. Depois fiquei arrependido pois além de ter demorado a me vestir, achei que a camisa “inflava” igual ao pára-quedas nas descidas ou quando batia vento contra.

Não pedalei muito bem mas mesmo assim entreguei a bike entre os TOP 10. A corrida era bastante dura e eram duas voltas com trilhas (bosques), muitas subidas e até escadarias!!! Eu achei que estava correndo bem, mas mesmo assim acabei perdendo uma posição para o Patrick Bringer (França) faltando uns 4 km pra chegada. Ele estava correndo muito forte e apesar de ter reagido, não consegui segurar aquele ritmo por muito tempo. Acabei ficando em décimo primeiro numa prova que achei de altíssimo nível. A performance do Chris MacCormack foi de outro planeta pois o percurso era bem difícil e o tempo dele muito baixo.

A prova contou também com exame anti-doping e praticamente  todos  os 15 primeiros homens fizeram exame. Outra coisa interessante foi na largada que foi realizada dentro d’água e um potente jato de mangueira do Corpo de Bombeiros delimitava a linha de largada, dessa forma ninguém ultrapassava essa linha, caso contrario levava um jato d´água na cabeça!!!

Mais uma vez valeu pela torcida dos amigos. Em breve mandarei mais notícias.

 

Forte abraço a todos e bons treinos!!!