terça-feira, 24 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
De volta a casa!!!
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A DOR PURIFICA A ALMA!!!!
A prova se chama ELBAMAN na belíssima Isola D’Elba . O percurso de ciclismo era muito duro como normalmente venho competido com mais de 3000 metros de desnível e mais de 60 km de subidas no total das 3 voltas, a maratona era plana com 5 voltas.
Nadei bem e logo na primeira volta liderava a prova e mantive a posição até o final do ciclismo. Estava me sentindo muito bem e talvez tenha sido o “Ironman” que entreguei a bike mais “inteiro” em toda minha vida. Eu sabia que meu pé me incomodaria muito mas não esperava que logo nos primeiros metros da maratona fosse doer tanto. Pensei que talvez depois de 30’ correndo eu fosse me acostumar e me “desligar” da dor… Estava enganado pois a coisa ficou feia! Eu forçava a outra perna para aliviar o impacto do outro pé. Corria bem devagar e a outra perna ficou tão ruim quanto o pé que no início me incomodava.
Tinha duas opções: abandonar como qualquer pessoa normal faria ou completaria a prova daquele jeito mesmo.
Minha squadra dependia do meu sacrifício para conquistar seu primeiro Título Italiano. Eu sabia muito bem disso. Nós éramos os favoritos mas ha mais de 10 anos o Peperoncino já se encontrou nessa posição de favorito e diversos obstáculos apareceram no caminho levando-os ao fracasso. Foram inúmeros vice campeonatos…
A soma do tempo dos 3 melhores atletas de cada Squadra(Clube) decidia a equipe campeã.
Logo na primeira volta da Maratona perdi a liderança da prova e até a quarta volta ainda estava entre os 5 primeiros mesmo me arrastando. Fui me desligando do mundo e me concentrando em finalizar a prova independentemente da posição.
Realmente foi um pesadelo com mais de 4 horas e 30’ de maratona! Não era a forma que esperava de finalizar minha temporada mas recebi o reconhecimento dos meus companheiros de Squadra e dos nossos dirigentes, pois meu sacrifício fez com que um antigo sonho se concretizasse.
Essa semana estou de ferias. Semana que vêm estarei de volta ao Brasil e tudo voltará ao normal. Achei que fosse estar muito mal e fiquei com medo do que que poderia acontecer com meu pé, mas estou legal, andando normal e sem ter a sensação de que tenha piorado demasiadamente.
Mais uma vez muito obrigado pelos amigos estarem sempre prestigiando o blog. Para mim foi uma experiência nova e fiquei muito feliz de dividir minhas experiências com todos,…as vezes desabafar e contar como é a vida de um triatleta na Europa.
Forte abraço a todos e bons treinos!!!
Marquinhos Ornellas
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
TRIATHLON DE GERARDMER E DE MERGOZZO
Na semana passada viajei para competir na França (06/09) , na cidade de Gerardmer. A viagem foi meio longa com mais de 7 horas de carro. A prova é muito dura e não tem 1 km de plano no ciclismo. Eram 2 km na natação , 93 km de ciclismo (3 voltas) e 21 km de corrida (3 voltas). Fazia um pouco de frio e estava menos de 10 graus. Minha preocupação era com a chuva pois o percurso tinha muitas descidas velozes e a chuva aumenta muito o risco de quedas. Felizmente não choveu e a organização da prova foi uma das melhores que já vi, pois era um evento promocional, sem ter nenhum envolvimento com IRONMAN, CHALLENGE ou ITU. O kit da prova era bem original e todos ganharam um casaco sensacional com a marca do evento, o público compareceu em grande número e ao lado da arquibancada havia um telão que facilitava a identificação dos atletas na chegada. Durante alguns anos eles sediaram o IRONMAN FRANCE (atualmente a prova é realizada em Nice) e talvez por isso apresentem esse padrão de qualidade que vale a pena conferir. Assim como o Triathlon do Alpe D’Huez, em Gerardmer também acontece no dia seguinte um triathlon na distância olímpica, mas sempre sem vácuo. São duas provas que vale a pena viajar do Brasil para competir e conhecer a região!
A prova contava com nível altissimo, bem maior do que eu esperava e do que havia acontecido nos últimos anos. Eu não nadei muito bem pois a largada foi muito confusa e acabei ficando enrolado num grupo perdendo o pelotão da frente que era bem forte. No ciclismo fui bem, disputando cada posição e me recuperando a cada volta. Entreguei a bike entre os Top 10 e não estava cansado. Infelizmente não pude correr bem pois depois do Ironman de Nice, onde abandonei por dores no pé, senti novamente muitas dores na primeira volta de corrida e com isso acabei perdendo tempo. Depois comecei a encaixar o ritmo mas acabei perdendo a décima colocação no final. Mais uma vez fui décimo primeiro…
Sinceramente não sabia que estava entre os TOP 10, pois o australiano Pete Jacobs (segundo colocado em Roth) me passou na segunda volta de corrida, mas ele estava uma volta atrás. Isso me confundiu pois eu havia passado ele na bike mas não sabia que havia aberto tanto. De qualquer forma sei que fiz o meu melhor dentro da situação de dores que apresentava. O frio aumentou minha sensação de dor e precisei de tempo para me adaptar a ela, com isso fiz uma corrida muito pior do que normalmente faria
Neste último domingo (13/09) fomos para o Lago Maggiore , na Itália , competir no Triathlon de Mergozzo. A prova era Campeonato Italiano na distância de 3km de natação , 80 km de ciclismo e 20 km de corrida (Duplo Olímpico).
Foi nessa prova em 2005 que começou minha história aqui na Itália pois tive a felicidade de vencê-la, fazendo uma das melhores provas da minha carreira.
Meu objetivo era realmente ficar entre os 5 primeiros mas principalmente ser o primeiro estrangeiro, pois havia uma premiação especial para estes. Meu principal adversário seria o ucraniano Wladmir Polikarpenko, mas que acabou desistindo da prova.
Nadei mais ou menos , apesar de estar treinando muito bem. Larguei por fora e me encaixei bem no primeiro grupo mas não aguentei o ritmo, saindo quase 1’ atrás na disputa do quarto lugar.
Meu pé não havia ainda se recuperado da semana anterior e tive dificuldades de correr descalço na longa transição. Me recuperei na bike e cheguei disputando o terceiro lugar. Logo na saída para corrida vi que o máximo que poderia fazer seria lutar para ficar entre os 5 primeiros pois meu pé doía muito. Fechei a prova em quinto e garanti o primeiro lugar como estrangeiro. Fico contente com o objetivo cumprido mas triste de saber que estou correndo de forma limitada…
Agora devo decidir se faço a última prova da temporada ou não pois acabei com muitas dores no pé. Logo estarei de volta ao Brasil e poderei ter meu atendimento médico com o Dr. Leonardo Metsavath no Rio.
Depois da prova fiz meu quinto exame de Controle Anti- Doping, desde que cheguei aqui na Itália em maio. O primeiro foi na França em Niederbron (Urina), depois fiz um outro controle antes da prova do Challenge Roth (Sangue), mais um logo após a prova (Urina) e agora no domingo em Mergozzo na Itália (Urina e Sangue).
O fato curioso e engraçado neste último Controle foi que durante a coleta de urina, o atleta vai num banheiro junto com um médico que observa TUDO. Estava eu lá enchendo o potinho que deveria ter no mínimo 100 ml e de repente o médico grita: “Basta!!!” Eu dei aquela “travada” e parei de “mijar”. Olhei pro médico e ele estava arrependido pois a espuma da urina o havia confundido. Ele me pediu para tentar preencher a quantidade necessária mas eu não conseguia mais. Liguei a água da torneira, dei descarga mais de 5 vezes e ficava de olho fechado concentrado…, pensando numa cachoeira ou em qualquer outra coisa que me fizesse preencher aquele “maldito potinho”. Lembrei até da minha mãe que me levava no banheiro pra mijar antes de dormir quando era bem pequeno.
Infelizmente não consegui e depois disso meu pote referente ao exame virou a atração entre os 4 médicos responsáveis, discutindo se seria suficiente ou não para o Controle. Eu trocava a urina de pote por mais de 5 vezes como nas aulas de química do colégio para que enfim os médicos chegassem a uma conclusão se faria outra coleta ou se aquela quantidade seria suficiente.
Isso tudo foi engraçado, até porque os italianos são escandalosos etc, mas serve de exemplo principalmente aos organizadores de competições no Brasil, a Confederação Brasileira de Triathlon etc, pois não podemos realizar competições há tanto tempo, com premiações, formando equipes nacionais etc, sem que jamais exista um Controle Anti-Doping. Acho inadmissível o Ironman Brasil, o Internacional de Santos e as provas da CBTRI não terem um exame de Controle Anti Doping. Deveríamos aproveitar que temos a atleta olímpica Sandra Soldan trabalhando como médica responsável por esses exames na natação e trazê-la também para o Triathlon.
Não estou aqui acusando ou desconfiando de ninguém. Só acho que nenhum atleta no Brasil toca neste assunto e nem pede ou exige esse tipo de procedimento. O mundo inteiro está lutando contra o doping e no Brasil não fazemos nada a respeito.
Falo isso tudo por duas situações que aconteceram justamente no Internacional de Santos. Em 1992, fui Vice Campeão da prova e o vencedor do evento, poucos meses antes havia sido pego num Controle na França e proibido de correr por lá. Há poucos anos atrás, uma atleta ainda cumprindo a suspensão de 2 anos participou e venceu o Internacional de Santos.
Acho que essas coisas acontecem pois nós atletas não somos unidos e também pela cultura brasileira da impunidade e da falta de memória.
Forte abraço a todos e bons treinos!!!
Marquinhos Ornellas
sábado, 1 de agosto de 2009
ME DESCULPEM, MAS SOU HUMANO!!!
Apenas duas semanas depois de ter competido no Challenge Roth fui nesta quarta feira , dia 29 de julho , para o Triathlon Long Distance do Alpe D’Huez tendo a “RESPONSABILIDADE” de carregar no peito o número 1 . Digo responsabilidade pois a prova contava com grandes atletas, praticamente toda a seleção francesa, atual bicampeã mundial por equipe de Triathlon de Longa Distância, incluindo Julien Loy (atual Bicampeão Mundial) , a seleção italiana de Longa distância e a equipe TBB com atletas de toda a parte do mundo.
Ano passado fui Campeão dessa prova que para mim é uma das mais lindas do mundo. O cenário é maravilhoso parecendo uma pintura com céu muito azul e as montanhas ainda com neve.
A prova juntamente com o EMBRUNMAN , também na França, são as provas mais difíceis do triathlon mundial. A prova do Alpe D’Huez só não é considerada a mais dura pois ela tem medidas menores.
O Embrunman são 3.8km de natação, 190 km de bike com mais de 5000 m de desnível , incluindo o famoso Col D’ Izoard e 42 km de corrida . A largada é as 6:00 da manhã totalmente no escuro, onde devemos seguir um caiaque com uma lamparina pendurada!!! No ano passado fui para essa prova que era um dos meus sonhos. Peguei chuva de granizo e 2 graus negativos no topo do Izoard!!! Depois de ter 3 pneus furados acabei abandonando a prova. Peguei muita chuva e frio! Na França o atleta não pode receber ajuda externa nem da organização da prova , com isso acabei ficando doente por mais de 1 mês e quase tive pneumonia…
Voltando ao Triathlon do Alpe D’Huez. O evento consta com muitas provas durante toda a semana, começando no domingo com um short triathlon sem a subida do Alpe D’Huez. Na terça é realizado um triathlon infantil muito legal. As crianças na França tem uniformes com os próprios nomes e são muito talentosas. Na quarta é realizada a prova mais importante que é o Longo. São duas transições e as medidas são: 2200m de natação , 115 km de bike com 3 montanhas (uma de 20km , outra menos inclinada de quase 25 km e para terminar o Alpe D’Huez com 15 km acabando na transição 2), a corrida são 22 km dividida em 3 voltas a 2200 m de altitude. Na quinta-feira é relizada uma prova mais curta com 1000m de natação , 34 km de bike com o Alpe D’Duez e 7300 de corrida no mesmo local do Triathlon Longo.
Esse ano não consegui ter o mesmo desempenho do ano passado, mas fiz questão de prestigiar o evento e apesar de todo o sofrimento pela dificuldade da prova, jamais pensei em abandonar, mesmo tendo piorado quase 30 minutos do meu tempo do ano passado. Eu sou humano e apesar das distâncias não serem relativamente muito grandes, a dificuldade e o tempo de prova são referentes a um IRONMAN pois a prova leva mais de 6 horas.
Eu nadei muito bem e saí no primeiro pelotão, mas saí muito cansado e isso me prejudicou no início do ciclismo. Mas logo me recuperei e estava entre os 5 primeiros até a metade da primeira subida (20 km), quando um grupo forte me alcançou. Infelizmente não reagi pois conheço a prova e sabia que não estava suficientemente treinado e apresentava ainda “aquele” cansaço típico de pós Ironman. Acabei perdendo algumas colocações e fiquei meio confuso pois a prova contava também com revezamentos. Com isso não sabia muito bem minha colocação. Fiquei durante o ciclismo num perde e ganha de colocações pois pela carcterística da prova, o rítmo mudava constantemente e durante todo o tempo um ou outro dava “aquela quebrada”. Poucos conseguiam se recuperar. Devido a esse risco, fui prudente e confesso que até dei uma “quebradinha” no início do Alpe D’Huez onde a inclinação era a mais dura da prova, mas felizmente, graças a Deus, consegui me recuperar. Fiz uma hidratação e alimententação muito boa durante toda a prova, com isso estava confiante de que aguentaria a “pressão”!
Saí para correr tranquilo e ganhei algumas colocações fechando a prova em décimo primeiro. Felizmente os 15 primeiros subiam no podium, o que me deixou muito feliz pois nos últimos anos fui décimo primeiro em várias provas (Challenge France, Ironman 70.3 California e Campeonato Mundial de Ironman 70.3) , o que as vezes me deixava um pouco chateado.
Agora pretendo voltar aos treinos normalmente para em breve realmente poder fazer o meu melhor, voltando a competir somente quando estiver muito bem treinado e descansado.
Logo mandarei mais notícias sobre os treinos e um resumo de nossa viagem até agora.
Mais uma vez muito obrigado pela torcida. Forte abraço a todos e bons treinos!!!